Desconecte-se

Calçadas cheias, vias abarrotadas de veículos. O caos do trânsito resplandece entre os prédios a perder de vista. A cada nova esquina, outdoors do tamanho de trens ocupam os olhos. A vista cansada clama por horizonte. A alma suplica um pouco de paz. Há anos que o ser humano se perdeu no meio urbano. Também há anos que busca no retorno à natureza um pouco de paz para seguir os dias.

A correria do dia a dia, o estresse e a rotina, podem deixar nosso corpo e mente prejudicados. Muitas vezes o cansaço deixa de ser apenas mental e passa a ser físico, trazendo doenças como um aviso do corpo que quer te dizer: vá com calma!

A confusão da cidade com os barulhos, problemas e a correria, acaba afastando a qualidade de vida das pessoas, não importa a quantidade de dinheiro que elas possuem. Isso pode trazer muito estresse, e já sabemos os males e as doenças que o estresse pode causar. Nessas horas, uma caminhada na natureza pode melhorar bastante a sua saúde mental, emocional e física.

Muitas pessoas já se deram conta disso e procuram atividades ao ar livre, para estar em contato com a natureza e mandar embora o estresse. O que pouca gente sabe é do poder de uma simples caminhada na natureza!

A busca da sintonia com a natureza como forma de equilíbrio, remonta a épocas anteriores a ciência. Na história, poetas e filósofos buscavam formas de explicar o que hoje a ciência já comprova: A natureza é sim o que de mais purificador – e nutritivo – há para a mente, o corpo e a alma.

David Strayer, psicólogo cognitivo e pesquisador da Universidade de Utah, apoiado por hipóteses próprias dos efeitos biológicos do exercício da contemplação, obteve, por meio de um aparelho portátil de eletroencefalografia, resultados clínicos de que a natureza tem papel fundamental na qualidade de vida. “No terceiro dia no mato, os meus sentidos passam por uma recalibração – e começo a sentir aromas e a ouvir sons que antes eu não era capaz de notar”, relata Strayer.

Desafiados a deixar a rotina e permanecer por três dias em contato com a natureza, um grupo de estudantes realizou uma série de testes de criatividade. O aumento significativo de 50% de acertos nos testes, quando comparados aos realizados dentro da universidade, não se deram por acaso. Segundo Strayer, o efeito dos três dias funciona como uma limpeza no para-brisa mental. Ao diminuir o ritmo de nossas atividades, entramos em um estado contemplativo, o que nos permite admirar a beleza ao nosso redor. Não só nos sentimos renovados, como também ocorre uma melhora em nosso desempenho mental.

Quando estamos focados em ações do dia a dia, o nosso cérebro utiliza o córtex pré-frontal ao que os pesquisador chamam de atenção prolongada. Ao estar em um ambiente natural, com a mente livre e o semblante leve, nosso cérebro reduz o ritmo, descansando este córtex. Este descanso funciona como uma pausa, agindo de maneira saudável ao pensamento.

Na Inglaterra, investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter executaram uma pesquisa relacionada a saúde mental de 10 mil moradores, na qual constataram que aqueles que viviam próximos a áreas verdes se queixavam menos de doenças mentais. Na Holanda, em 2009, uma equipe de pesquisadores contatou que moradores que viviam a menos de mil metros de áreas verdes, possuíam uma incidência menor de 15 doenças, entre elas depressão, diabetes, enxaqueca, asma e cardiopatias.

Caminhar no meio da mata proporciona ao nosso corpo uma queda de até 16% no hormônio do estresse. “As pessoas tendem a subestimar o efeito benéfico de passar um tempo com a natureza”, afirma a psicóloga canadense Lisa Nisbet. “Não consideramos isso como uma maneira de aumentar a satisfação. Nesse sentido, pensamos antes em outras coisas, como sair às compras ou assistir TV.

Desconecte-se e desapegue do hábito ou vício eletrônico.

Desligue a TV. Vá menos ao shopping. Faça aquilo que transporte a sua alma para um lugar melhor. Contemplar a natureza tem um custo baixo. Baixíssimo. Não possui contraindicações, é benéfico para a saúde e requer de nós o mais simples: nos permitir.

Precisamos tirar um fim de semana de vez em quando, ou ao menos um dia, para estarmos inertes na natureza e respirar ar puro. Aproveitar e absorver tudo o que ela tem para oferecer: os sons, a paz, a energia, a tranquilidade, os animais… Admirar o pôr do sol do alto de uma montanha, com um tapete de nuvens cobrindo o vale. Vislumbrar a natureza de cima, percorrer horas de trilhas com inúmeros obstáculos, sentir a brisa leve e o sentimento de objetivo alcançado, os cantos dos pássaros, as folhas das plantas, tudo funciona como um purificador da alma. Isso vai renovar as suas energias e te deixar pronto para mais uma semana de trabalho. E o mais importante: aumenta sua saúde e qualidade de vida.

Todos nós precisamos de uma pausa em algum momento, e não há forma melhor de fazer isso do que se distanciando um pouco da rotina.

Viajar é uma das melhores formas de desconectar, viver o momento presente e aproveitar tudo o que está a nossa volta.

Sobre o Autor

Rafael Freitas
Rafael Freitas
Brasileiro, Belo Horizonte/MG, Formado em Processos Gerencias, Empreendedor, Guia especializado em atrativos naturais, Analista de viagens, Consultor de Viagens, Gestor de Turismo, Sócio Proprietário na empresa Pegada Ecoturismo, Palestrante. Com varias vivencias no ecoturismo e turismo de aventura, decidiu que viveria sua vida respirando e sonhando aventuras. Transformou o hobby e a paixão por viajar em profissão, com propósito de incentivar pessoas a saírem da rotina, conhecer novas pessoas, novos lugares, novas culturas, desafiar a si mesmo através deste esporte encantador e apaixonante. Acredita que não existe limites para conhecer novos lugares e novas conquistas. Viajar é explorar o novo, de forma simples. Acredita que não existe limites para conhecer novos lugares e novas conquistas. Viajar é explorar o novo, de forma simples.