Para onde vai todo o plástico que produzimos?

Nós simplesmente jogamos “fora”, mas fora onde, se tratando do planeta terra que estamos todos dentro?

Mais de 60% dos objetos e recipientes de plástico são utilizados uma única vez. A percentagem de plásticos que são reutilizados ou reciclados é mínima, então, o que acontece com o restante?

Se não for para reciclagem ou para um aterro sanitário, o destino é o oceano.

Estima-se que algo em torno de 25 milhões de toneladas de lixo entram nos oceanos todo ano. Segundo a ONU, de 60% a 80% de todo o lixo no mar é plástico e um dos lugares mais problemáticos é o giro do Pacífico Norte ou Depósito de lixo do Pacífico ou chamado também de Grande Sopa de lixo do Pacífico, que é uma grande corrente marítima formada pelos ventos e as marés, onde converte grande parte de todo material que é jogado no mar.

O mesmo acontece no oceano Atlântico, no giro subtropical do Atlântico Norte e em várias outras regiões pelo globo.

Entre os grandes desafios ambientais que existem, o plástico foi eleito pela ONU Meio Ambiente como o maior deles. A produção desenfreada de embalagens, junto aos baixos índices de reciclagem (9%) e reaproveitamento (menos de um quinto) estamos produzindo continentes de plástico. As principais estimativas apontam que, até 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos.

E o maior problema desse tipo de material é que ele não se degrada como os materiais orgânicos, ele permanece no mundo, flutuando ou suspensos na atmosfera, ou seja, aquela garrafa PET irá continuar existindo, mesmo após o seu descarte e em média mais de 400 anos.

Outro dado importante é que 44% das aves marinhas e 22% dos cetáceos (como as baleias), encontrados nas praias tem pedaços de plástico em seus tratos digestivos. Calcula-se que cerca de 46.000 peças de plástico flutuam por quilômetro quadrado.

O lixo produzido afeta toda a fauna, dentro e fora dos oceanos, incluindo espécies de tartarugas marinhas, inúmeros animais em extinção e obviamente os peixes, que por sua vez compõe a refeição do ser humano. Isso quer dizer que você tem plástico em seu corpo? Certamente sim, um estudo apresentado no 26º Congresso Europeu de Gastroenterologia, em Viena, revelou que estamos ingerindo regularmente pelo menos 9 tipos de plásticos diferentes, sem nem ao menos darmos conta do problema.

Pesquisadores da universidade de medicina de Viena e da Agência de Meio Ambiente da Áustria monitoraram um grupo de participantes de oito países diferentes, os cientistas descobriram que todas as amostras de fezes coletadas nos mais variados pontos do planeta continham microplásticos, que é algo ainda pior, por conseguir absorver substâncias altamente tóxicas e venenosas tais como o mercúrio.  O que os cientistas chamam de microplásticos são partículas de menos de 5 milímetros, criados a partir da quebra de pedaços maiores.

Um ponto importante dessa pesquisa é que alguns deles não consumiam peixes ou frutos do mar, após falarem sobre seu diário alimentar revelaram que todos os participantes foram expostos ao material, seja pelo consumo de alimentos embrulhados ou simplesmente por beberem líquidos em recipientes de plástico.

Para um problema tão complexo e urgente, a solução tem que envolver diversas pessoas físicas, jurídicas e também o poder público, afinal já somos 7 bilhões de pessoas no mundo, usufruindo dos recursos naturais da Terra incessantemente, dia após dia.

Então, o que podemos fazer para melhorar ou mudar esse cenário?

A única maneira de acabar com essa loucura é buscar alternativas para itens vendidos em recipientes plásticos, mas sabemos que grande parte das embalagens são feitas neste material, por ser barato e fácil descarte, então segue abaixo algumas dicas e medidas de como reduzir seu consumo diário.

  1. Carregue sacolas retornáveis quando for às compras.
  2. Adote um carrinho de feira.
  3. Evite embalagem excessiva de alimentos.
  4. Use garrafa de alumínio para tomar água.
  5. Diga não aos canudos de plástico.
  6. Diga não aos talheres e copos descartáveis.
  7. Conheça e envie para a reciclagem todo material plástico que utilizar em casa.
  8. Utilize potes de vidros ao invés dos de plástico.
  9. Escolha materiais de descarte biodegradáveis.
  10. Se não for possível reciclar ou reutilizar, recuse!

Em “Oceano de Plástico”, cujo trailer oficial podemos ver  abaixo, é um documentário de aventura filmado em 20 diferentes regiões ao longo de quatro anos. Os exploradores Craig Leeson e Tanya Streeter, que têm uma ligação especial com o oceano, juntamente com uma equipa de cientistas internacionais, falam-nos, precisamente, da poluição do plástico, as suas causas, consequências e soluções para o futuro.

Assista ao documentário disponível na Netflix clicando aqui!

Faça a sua parte: recicle, reutilize e, acima de tudo, se puder, não compre plástico descartável.

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Sobre o Autor

Darlan Martins
Darlan Martins
Brasileiro, Mineiro/BH, empreendedor, guia e condutor de rapel e turismo de aventura. Sócio fundador na empresa Pegada Ecoturismo. Instrutor de montanha apaixonado por adrenalina e esportes radicais. Seu amor e respeito pela natureza fez com que largasse a profissão de coodenador de tráfego aéreo. Tomou gosto por viagem e adrenalina desde muito cedo e percebeu que dava pra unir o útil ao agradável e viver do ecoturismo. "O homem ainda não enxergou o quanto o ar puro e água limpa irá fazer falta no futuro, o momento de conscitizar é agora."