Muitas vezes o foco dos brasileiros é buscar destinos internacionais para viajar, esquecendo que no Brasil existem inúmeros lugares tão bons e bonitos, ou até mais quanto em outros países.

Entretanto, por que primeiro conhecer o exterior e esquecer do próprio país?

O Brasil, país que encanta os olhos de quem vê, com suas belezas, diversidade e histórias, este país do tamanho de um continente, além de possuir 27 unidades federativas, detém de diversidades muito marcantes e reconhecidas não só nacional, como internacional. Indo do acarajé da Bahia ao pão de queijo de Minas Gerais, das praias paradisíacas de Santa Catarina às Cataratas de Foz do Iguaçu, das lagoas cristalinas em Bonito aos cânions de Cambará do Sul.

Que nós somos um lugar enorme com muito a conhecer, isso não pode-se ter dúvidas nunca, então por que não vivenciar as diversidades que existem nesse país tropical abençoado?

Você já se aventurou pelos cânions Fortaleza, com sua vista verde única e a famosa Pedra do Segredo? Já visitou Alter Chão “Caribe Amazônico” e suas lindas praias? Tem muita gente que ainda não ouviu falar dessa charmosa vila no interior do estado do Pará.

Quem já conheceu este lugar não se arrepende e na verdade afirma ser um dos lugares mais especiais do Brasil.

Já deslumbrou a belíssima Ilha do Mel ou andou no incrível Trem da Serra do Mar? Vai me dizer que nem pelo Buraco do Padre você passou? Conhece a Serra do Rio do Rastro com uma das estradas mais impressionantes do mundo? Ou o Parque do Petar (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), uma das Unidades de Conservação mais importantes do mundo que abriga a maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil e mais de 300 cavernas. É considerado hoje um patrimônio da humanidade, reconhecido pela UNESCO.

E os Lençóis Maranhenses? A areia branca e fina marca o paradisíaco caminho percorrido pelos viajantes em meio ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. As lagoas de água doce entre as dunas formam um cenário único em todo o mundo e é impossível não se emocionar ao chegar no topo da paisagem e ver a imensidão dos Lençóis Maranhenses.

Conhece o Pantanal?

Na maior planície inundável do planeta, cenário de uma incrível biodiversidade, o Pantanal sul-mato-grossense é a combinação harmoniosa entre água, fauna, flora e gente. Passear pelo Pantanal é uma aventura.

Seja tocando uma comitiva, andando a cavalo ou de caminhonete 4×4 dentro d’água visitando regiões com muitas flores, vegetação exuberante e muita água, seja relaxando ao pôr-do-sol, refletido nas águas das lagoas e salinas, saboreando a deliciosa culinária pantaneira, com peixes, carne de gado ou carneiro e muitos doces locais.

Temos também os encantos do Jalapão. Localizada no Estado do Tocantins, a região encanta por suas águas abundantes, chapadões e serras.

Entre os atrativos mais procurados estão a Cachoeira da Velha, uma enorme queda d’água em forma de ferradura de aproximadamente 100 metros de largura e 15 metros de altura; as Dunas, cartão postal do Jalapão, composto por areias finas e alaranjadas que chegam à 40 metros de altura; os Povoados do Mumbuca e Prata, comunidades remanescentes de quilombos, cuja visitação possibilita ao turista vivenciar a cultura local; a Serra do Espírito Santo, formação rochosa onde é possível apreciar a flora da região; a Cachoeira do Formiga, um encantadora nascente de água verde-esmeralda; e os Fervedouros, com suas águas transparentes, nas quais é impossível afundar.

São tantos locais que devemos conhecer, que ficamos até mesmo perdidos não é mesmo? Por isso, é sempre bom começar conhecendo primeiro a sua cidade, o seu estado e o seu país antes de querer dar a volta ao mundo.

Ter em sua bagagem pessoal o gostinho saboroso de conhecer o Brasil de norte à sul, de centro-oeste a nordeste e acabar no sudeste, não têm nenhum preço.

Possuir em seu currículo aventureiro os mais diversos pontos turísticos, dos menores aos maiores, dos mais conhecidos aos desconhecidos, é dar a sua alma o conhecimento que nenhum livro ou pesquisa básica na internet pode proporcionar.

Sair de sua casa, deixar pegadas em solo novo, respirar um ar diferente, caminhar para longe, sair da rotina é o descanso ideal que seu corpo acostumado ao comum precisa.

Descubra o Brasil!

O ecoturismo no Brasil vem crescendo muito nos últimos anos.

A conscientização sobre a preservação e a necessidade do contato com a natureza tem feito muitas pessoas buscarem esses destinos no mundo todo.

Este tipo de turismo responsável tem grande importância sócio-ambiental, econômico e cultural. Desenvolver o ecoturismo de forma responsável aliada a preservação, ainda é um desafio no Brasil.

Confira abaixo algumas dicas importantes para ser um Ecoturista consciente e responsável.

Planejamento é fundamental

Entre em contato prévio com a administração da área que você vai visitar para tomar conhecimento dos regulamentos e restrições existentes.
Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do tempo antes de qualquer atividade em ambientes naturais.
Viaje em grupos pequenos. Grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto.
Evite viajar para áreas mais populares durante feriados prolongados e férias.
Certifique-se de que você possui uma forma de acondicionar o seu lixo (sacos plásticos), para trazê-lo de volta.
Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu condicionamento físico e seu nível de experiência.

Cuide das trilhas e dos locais de acampamento

Mantenha-se nas trilhas pré determinadas, não use atalhos que cortam caminhos. Os atalhos favorecem a erosão e a destruição das raízes e plantas inteiras.
Mantenha-se na trilha mesmo se ela estiver molhada, lamacenta ou escorregadia. A dificuldade das trilhas faz parte do desafio de vivenciar a natureza. Se você contorna a parte danificada de uma trilha, o estrago se tornará maior no futuro.
Acampando, evite áreas frágeis que levarão um longo tempo para se recuperar após o impacto. Acampe somente em locais pré-estabelecidos, quando existirem. Acampe a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água.
Não cave valetas ao redor das barracas, escolha o melhor local e use um plástico sob a barraca.
Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos. Não corte nem arranque vegetação, nem remova pedras ao acampar.

Traga seu lixo de volta

Se você pode levar uma embalagem cheia para um ambiente natural, pode trazê-la vazia na volta.
Ao percorrer uma trilha, ou sair de uma área de acampamento, certifique-se de que elas permaneçam como se ninguém houvesse passado por ali. Remova todas as evidências de sua passagem. Não deixe rastros!
Não queime nem enterre o lixo. As embalagens podem não queimar completamente, e animais podem cavar até o lixo e espalhá-lo. Traga todo o seu lixo de volta com você.
Utilize as instalações sanitárias que existirem. Caso não haja instalação sanitárias (banheiros) na área, cave um buraco com quinze centímetros de profundidade a pelo menos 60 m de qualquer fonte de água, trilhas ou locais de acampamento, em local onde não seja necessário remover vegetação.

Deixe cada coisa em seu lugar

Não construa qualquer tipo de estrutura, como bancos, mesas, pontes etc. não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar servindo de abrigo para aves ou outros animais.
Resista à tentação de levar “lembranças” para casa. Deixe pedras, artefatos, flores, conchas etc. onde você os encontrou, para que outros também possam apreciá-los.
Tire apenas fotografias, deixe apenas leves pegadas, e leve para casa apenas suas memórias.

Não faça fogueira

Fogueiras matam o solo, agridem física e visualmente os locais de acampamento e representam uma grande causa de incêndios florestais.
Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido e prático que acender uma fogueira.
Para iluminar o acampamento, utilize um lampião ou uma lanterna em vez de uma fogueira.
Se você realmente precisa acender uma fogueira, utilize locais previamente estabelecidos, e somente se as normas da área permitirem.
Mantenha o fogo pequeno, utilizando apenas madeira morta encontrada no chão.
Tenha absoluta certeza de que sua fogueira está completamente apagada antes de abandonar a área.

Respeite os animais e plantas

Observe os animais à distância. A proximidade pode ser interpretada como uma ameaça e provocar um ataque, mesmo de pequenos animais. Além disso, animais silvestres podem transmitir doenças graves.
Não alimente os animais. Os animais podem acabar se acostumando com comida humana e passar a invadir os acampamentos em busca de alimento, danificando barracas, mochilas e outros equipamentos.
Não retire os animais silvestres do seu habitat natural, muito menos os maltrate.
Não retire flores e plantas silvestres. Aprecie sua beleza no local, sem agredir a natureza e dando a mesma oportunidade a outros visitantes.

Seja cortês com outros visitantes

Ande e acampe em silêncio, preservando a tranqüilidade e a sensação de harmonia que a natureza favorece. Deixe rádios e instrumentos sonoros em casa.
Deixe os animais domésticos em casa. Caso traga o seu animal com você, mantenha-o controlado todo o tempo, incluindo evitar latidos ou outros ruídos. As fezes dos animais devem ser tratadas da mesma maneira que as humanas. Elas também estão sob sua responsabilidade. Muitas áreas não permitem a entrada de animais domésticos, verifique com antecedência.
Cores fortes, como branco, azul, vermelho ou amarelo, devem ser evitadas, pois podem ser vistas a quilômetros de distância e quebram a harmonia dos ambientes naturais. Use roupas e equipamentos de cores neutras, para evitar a poluição visual em locais muito freqüentados.
Colabore com a educação de outros visitantes, transmitindo os princípios de mínimo impacto sempre que houver oportunidade.

Você é responsável por sua segurança

O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar grandes danos ao ambiente. Portanto, em primeiro lugar, não se arrisque sem necessidade.
Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro da viagem com alguém de confiança, com instruções para acionar o resgate, caso necessário.
Avise a administração da área que você está visitando sobre: sua experiência, o tamanho do grupo, o equipamento que vocês estão levando, o roteiro e data esperada de retorno. Estas informações facilitarão o seu resgate em caso de acidente.
Aprenda as técnicas básicas de segurança, como navegação (como usar um mapa e uma bússola) e primeiros socorros. Para tanto, procure clubes excursionistas, escolas de escalada, etc.
Tenha certeza de que você dispõem do equipamento apropriado para cada situação. Acidentes e agressões à natureza em grande parte são causados por improvisações e uso inadequado de equipamentos. Leve sempre: lanterna, agasalho, capa de chuva e um estojo de primeiros socorros, alimento e água, mesmo em atividades com apenas um dia ou poucas horas de duração.
Caso você não tenha experiência em atividades recreativas em ambientes naturais, entre em contato com centros excursionistas, empresas de ecoturismo ou condutores de visitantes. Visitantes inexperientes podem causar grandes impactos sem perceber e correr riscos desnecessários.

Contrate um guia

Escolha ir sempre acompanhado de alguém que conheça o caminho e tenha experiência ou contrate um guia. Respeite e siga sempre as orientações do condutor. Ele está ali para assistir, orientar e conduzir as pessoas ou grupos durante os passeios. Contratar um guia de turismo capacitado pode ser o elemento mágico para tornar sua viagem ainda melhor. Algumas pessoas acham que o guia simplesmente apresenta o lugar e roteiros. Mas, no fundo, ele faz muito mais do que isso, ele conhece bem a região e os atrativos, vai poder te passar informações de onde oferece segurança para entrar ou não, aquela sugestão que você não sabia ou não havia dado importância, mas que vale a pena e pode deixar seu passeio ainda melhor. Esses são alguns de muitos motivos para contratar um guia.

Você já ouviu falar na Serra do Espinhaço? A Serra também chamada de “cordilheira brasileira”, formada há mais de 2,5 bilhões de anos, recebe a denominação de Cordilheira Brasileira, devido à sua formação peculiar, e seus mais de 1.000 Km que percorrem os estados de Minas Gerais e Bahia.

Você já deve ter ouvido falar em Serra do Cipó, Serra dos Caraça ou Chapada Diamantina, mas, provavelmente, não sabe que essas formações geológicas, em conjunto com muitas outras, constituem a Serra do Espinhaço.

O nome Serra do Espinhaço foi sugerido originalmente pelo geólogo, geógrafo e metalurgista alemão Wilhelm Ludwig Von Eschwege no início do século XIX. Von Eschwege foi contratado pela Coroa Portuguesa para realizar estudos sobre o potencial da mineração no Brasil, onde permaneceu ente 1810 e 1821. Em seus estudos sobre o relevo brasileiro, ele observou que uma extensa cadeia montanhosa com características singulares se estendia entre Ouro Branco, em Minas Gerais, até região de Morro do Chapéu, na Bahia, na forma de uma “espinha” quase reta por quase 1.000 km, com variações de largura entre 50 e 100 km. Foi a partir dessa comparação feita a uma espinha que surgiu o nome Espinhaço. Muitos estudiosos preferem classificar a Serra do Espinhaço como uma cordilheira – a Cordilheira Brasileira.

As diferentes Serras, montanhas, morros e vales da formação são ricas em recursos hídricos, segundo alguns cálculos, as nascentes de água da Serra do Espinhaço, que formam importantes riachos e rios, são responsáveis pelo abastecimento de mais de 50 milhões de pessoas, número que lhe dá uma posição de destaque no cenário ambiental brasileiro. Por outro lado, a Serra abriga em seus domínios importantes jazidas minerais, como acontece na região conhecida como Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, o que a torna alvo de intensa exploração mineral e sujeita a grandes agressões ambientais. Vários trechos da Serra do Espinhaço também sofrem com a derrubada de matas para a abertura de áreas agrícolas, com a mineração clandestina, com a caça predatória entre outros problemas.

Um dos trechos mais bonitos da Serra do Espinhaço é a região da Chapada Diamantina, no interior do Estado da Bahia. Suas grandes formações de rochas sedimentares, com clima ameno e cobertas por uma vegetação que combina elementos da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica, ricas em cursos d’água, contrastam com a aridez do sertão. As altitudes médias da Chapada Diamantina se situam entre 800 e 1.200 metros, com alguns picos apresentando altitudes próximas dos 2.000 metros, as maiores da Região Nordeste. A área ocupada pela Chapada é quase igual a área total do Estado do Rio de Janeiro.

Localizada no Norte do Estado de Minas Gerais, a Serra Geral se distribui por 16 municípios, ocupando uma área total de mais de 20 mil km². Um dos destaques da Serra Geral é o Pico da Formosa, com 1.825 metros de altitude, o que o coloca como o ponto mais alto do Norte de Minas Gerais. Ao lado da produção agropecuária, base da economia local, a região conta com um enorme potencial turístico a ser explorado nas suas montanhas, cachoeiras e rios.

Na porção Centro-Norte de Minas Gerais, na região do Vale do rio Jequitinhonha e tendo como destaque a cidade de Diamantina, encontra-se a Serra dos Cristais, que também é chamada de Serra do Rio Grande. Essa região ganhou enorme destaque no século XVIII, quando foram feitas as primeiras descobertas de ouro e diamantes, esse último sendo o responsável pelo nome dado à Serra. Um fato curioso, resultante das descobertas minerais nessa região, foi o verdadeiro bloqueio criado pelas autoridades Coloniais da época – soldados controlavam quem entrava e quem saía da região, como forma de evitar o contrabando dos preciosos diamantes.

Considerada como o divisor natural entre as bacias hidrográficas do rio São Francisco e do rio Doce, a Serra do Cipó fica bem próxima da região Metropolitana de Belo Horizonte. Essa Serra abriga o Parque Nacional da Serra do Cipó (vide foto), uma Unidade de Conservação com cerca de 100 mil hectares, que foi criada para proteger o imenso patrimônio natural da região. A flora local abriga áreas de vegetação de Cerrado e de Campos Rupestres, onde vivem diversas espécies animais ameaçadas de extinção. As paisagens locais incluem matas, rios e cachoeiras, além de inúmeras cavernas e sítios arqueológicos.

Por fim, a porção mais ao Sul da Serra do Espinhaço – a Serra de Ouro Branco, uma formação com encostas íngremes e que tem altitudes entre 1.250 e 1.568 metros. A região tem uma grande importância histórica – desde o final do século XVII ela passou a ser explorada por bandeirantes paulistas, que encontraram um tipo de ouro esbranquiçado e que foi batizado como “ouro branco”, descoberta que deu nome à Serra.

É de suma importância que possamos não só conhecer a Serra do Espinhaço, mas que também tenham a noção de sua importância para a conservação da biodiversidade.